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          A ORIGEM DO RACISMO

 
O ser humano não nasce “racista”. A criança não discrimina uma boneca negra e outra branca. O preconceito racial é uma herança cultural dos pais, professores e dos grupos sociais.

O racismo, por tanto, se sustenta em um critério de se sentir “superior” ao outro, por uma mera convicção pessoal distorcida da realidade. O preconceito racial não tem nenhuma base da ciência e nem das religiões. O racismo é apenas  uma forma soberba  de  se  justificar uma “suposta superioridade” de um grupo sobre o outro. Ao longo da historia universal foi usado em governos ditadores como o nazismo com o antissemitismo contra os judeus, o regime Sul Africano com o Apartheid, com a colonização  portuguesa e espanhola contra os índios e os negros, ou seja, os indígenas não  tinham “almas” e os  afrodescendentes  eram “objetos” de compra e venda, uma mera  mercadoria. A Lei Áurea de 13 de maio de 1888  acabou  com a “escravidão” brasileira, mas não combateu a exploração e nada fez pelo combate ao preconceito  racial. O ensino  primário  só  veio  constar  obrigatório  ao  povo  na  Constituição de 1932. Os livros didáticos continuaram trazendo figuras “discriminatórias” de famílias brancas com serviçais negras. As nossas bonecas continuaram sendo  amarelas dos  olhos azuis. Não temos bonecas negras em pais de mestiços. Nas escolas antigas era comum se dizer “quadro negro” ao invés de lousa. Nas conversas entre os trabalhadores da roça se falava naturalmente o racismo em forma de ditado popular: “o branco é filho de Deus, o mulato é entiado e o negro é filho do diabo”! Já ouvi meus  avós  e  meus tios  dizendo que “nego não  come, nego se  lambuza;  nego não  dorme,  nego  cochila; nego, urubu e anum tudo é um; além de “comida  de veio é mingau e de nego é pau”! E atualmente nenhum negro pode fazer corrida sozinho, pois  pode ser  confundido  com um “suspeito” de assalto e ser linchado pela população. 

Do livro:
A SAGA DE ZUMBI DOS PALMARES NO BRASIL CONTRA O TRONCO O CHICOTE E O FUZIL, pag. 154-155, do poeta BIRCK JUNIOR. 
 
Birck Junior
Enviado por Birck Junior em 17/10/2016
Alterado em 17/10/2016

Música: Edson Gomes - Adultério - EDSON GOMES

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