Textos


 O POETA PUBLICA COMO
 O FILHO DE PUTA

 
POETA BIRCK JUNIOR 
 
 
No Brasil o poeta publica o livro de poemas como um filho de puta: uma produção independente. As editoras existem não para ajudar aos menestréis, mas para explorar aos seus sonhos poéticos. Poucos são os poetas que na primeira edição da obra não foram enganados, ludibriados e extorquidos pelos editores. O seu sonho de ver os seus versos em um livro tornou-se um pesadelo editorial. Quando a produção do livro é sobre demanda a coisa passa a piorar, pois os editores “obrigam” aos poetas comprarem a própria obra. Ou seja, se o poeta quiser um exemplar do próprio livro? Terá que comprá-lo como se fosse um leitor qualquer. Isso é o mesmo que o marido pedir permissão para transar com a esposa dele. Isso é um verdadeiro absurdo, uma coisa surreal, estúpida, digna de um país de analfabetos corruptos.
 
A dignidade dos poetas em nossa nação esta no mesmo nível dos mendigos, dos moradores de rua ou dos pobres favelados. O menestrel é mais um “invisível” que perambula pelas ruas com os seus livros e folhetos recitando e vendendo aos leitores no metrô, isso até aos fiscais chegarem e botarem aos poetas para correr. Neste Brasil de analfabetos funcionais em 75% da população, vê alguém lendo é algo transcendental, sobrenatural ou surreal de verdade. Merece fazer uma selfie e postar nas  redes sociais. Isso é o vem fazendo o projeto “
#TEM MAIS GENTE LENDO” no metrô de São Paulo, Rio de Janeiro e de Belo Horizonte.  
 
Nas feiras dos livros Bienais das grandes capitais o autor independente é um mero figurante. A sua invisibilidade é quase total. Mal recebe um crachá grátis e se perde na multidão como um desconhecido do leitor. E se tiver um livro para vender? Será literalmente vilipendiado pelos editores. Melhor seria se tivesse publicado ao livro e o distribuísse entre os seus colegas, amigos, parentes  e vizinhos da sua cidade. Pelo menos um muito obrigado receberia de alguns conterrâneos.
 
Nas escolas o poeta é recebido com indiferença, pois o colégio não incentiva a leitura por prazer. A leitura é algo obrigatório, como um trabalho forçado para ser argüido na prova, no ENEM ou no vestibular. O poeta desconhecido é totalmente descartado e jogado de lado como uma carta fora do baralho. Já fui a uma escola do estado que a recepção foi tão boa? Quanto um mendigo é  recepcionado pela secretaria da assistência social municipal. Isso é uma verdadeira vergonha. Esse país não é nenhuma Finlândia, nem Noruega ou nenhuma Coréia do Sul, não, porra? Isso aqui é Brasil, Brasil de analfabetos funcionais em 75% do povo, em que 12% são analfabetos, mais ou menos 40 milhões de pessoas são analfabetos neste Brasil. E o poeta que produz conhecimento, saber e cultura e ainda paga para distribuir ao povo é mal  recebido nos colégios, onde deveria ser aplaudido em pé por todos os alunos e professores. Infelizmente, o analfabeto é um doente que não quer ser tratado e nem enxergar com a luz do conhecimento.
 
O fato de publicar os meus livros como um filho de puta não me faz desistir de poetizar, pelo contrario, os ventos contrários é que fazem as pipas se levantarem as nuvens e os aviões subirem aos céus. Ninguém me falou que seria fácil, nem tampouco me disse que seria impossível.
 
UM BRASIL SE FAZ COM HOMENS E LIVROS”.
O ESCRITOR MONTEIRO LOBATO.
Birck Junior
Enviado por Birck Junior em 25/03/2018

Música: O Meu País - Zé Ramalho - Zé Ramalho

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