A mãe cria o homem mimado:
Mima tanto a não querer mais!
Depois, vira um adulto folgado:
Que não aceita não dos demais!
Vira bicho se for decepcionado:
E agride até seus próprios pais!
A mente é uma coisa paradoxal:
A mulher “escolhe” o seu algoz!
O lobo finge ser um marido legal:
Depois, lhe grita, aumenta a voz!
Você julga tudo muito “normal”:
Até agredi-la de uma forma feroz!
O lugar mais sujo para a mulher?
Não é mais o estádio de futebol,
Nem mesmo o bordel, se quiser!
O risco está na cama e no lençol:
Um macho que com ciúme tiver?
Vai enforcá-la em seu cachecol!
A cada duas horas em um dia?
Uma moça foi morta no Brasil!
E ninguém reclama pela guria:
Faz de conta que ninguém viu!
A casa virou lugar da covardia:
Mª da Penha, pra puta q. pariu!
A cada duas horas em um dia?
Uma esposa foi morta em casa!
E ninguém protesta pela Maria!
O lar virou uma Faixa de Gaza:
O lugar da agressão e covardia:
A “masmorra” da nossa rapaza!
Protestamos pelo Lula e Sarney,
E o Bolsonaro nas redes sociais!
Mas contra o femicídio, não sei!
Acho que assisti nos telejornais!
Enquanto isso, morre a Noraney:
Atacada por um desses animais!
Ao todo, treze mulheres por dia
Perdem suas vidas dentro do lar!
Aquela paixão que ontem ardia?
Em tragédia, veio se transformar,
Pois, a dama fez de sua parceria?
O carrasco algoz para lhe matar!
137 garotas são mortas no mundo,
13 moças são eliminadas no Brasil.
O lar virou algo surreal, submundo:
Maria da Penha, pra puta que pariu!
A casa tornou-se um lugar imundo:
Onde o crime ocorre e ninguém viu!
A paixão nos cega e nos leva à razão:
Você escolhe o moço por puro tesão!
O carneiro depois vira aquele alazão:
Um cavalo indomável no seu colchão
Que devia defendê-la de outro varão?
Agora lhe ataca sem pena ou perdão!